“First Man não conta propriamente a história da ida à Lua em si, mas sim a história de um homem que extinguiu as suas emoções e projetou todas as partes de si no seu trabalho.”
First Man (2018), de Damien Chazelle
Dois anos depois da estreia de “La La Land”, o realizador Damien Chazelle e o ator Ryan Gosling juntaram-se novamente para a realização de “First Man”, um filme autobiográfico do primeiro Homem a pisar a Lua – Neil Armstrong. Depois dos sucessos de “Whiplash” e “La La Land”, as expetativas para o mais recente filme de Damien Chazelle eram elevadas, e o realizador não desiludiu.
“First Man” retrata fielmente a vida de Armstrong. O filme apresenta-nos o drama familiar do astronauta, o seu modo de estar dentro da NASA e a sua frieza sempre que entrava numa aeronave. No que diz respeito à Família, Armstrong e a sua esposa, interpretada sublimemente por Claire Foy, são alvos de um dos momentos que mais marcaram a vida do astronauta – a morte da filha. Tragédia que acaba por afetar a sua maneira de ser e de estar enquanto pessoa. Vemos em Armstrong, representado de forma consistente por Ryan Gosling, o retrato de um homem calmo e constrangido, que mesmo com a morte da sua filha apresenta uma força mental sobredotada. Mesmo numa profunda dor, que Armstrong faz questão de guardar só para si, este mantem-se calmo e sereno naqueles momentos em que qualquer outra pessoa entraria em pânico.

Os trambolhões da NASA durante o Programa Apollo na década de 60, que vão desde voos fracassados e testes mal feitos até à morte simultânea de três astronautas da Apollo 1, estão também enfatizados em “First Man”.
A nível técnico somos premiados com talvez uma das melhores e mais épicas cenas que vimos em 2018. O momento em que a Apollo 11, tripulada pelos astronautas Neil Armstrong, “Buzz” Aldrin e Michael Collins, se aproxima da aterragem na Lua é de certa forma épico. Damien Chazelle conseguiu vestir o fato de astronauta ao espetador e transpor-nos para dentro da primeira nave espacial a aterrar na Lua. A banda sonora de Justin Hurwitz, que já tinha vindo a trabalhar com Chazelle, traz uma emoção estonteante a toda esta cena. Algo de épico e simplesmente arrepiante. Uma representação autêntica do que aqueles três homens devem ter sentido ao aproximarem-se da tão desejada Lua.
Um outro aspeto técnico interessante é a forma como Chazelle decidiu contar o momento de Armstrong a pisar a Lua pela primeira vez. Grande parte de toda a sequência é filmada do ponto de vista do astronauta e com close-ups do mesmo. “First Man” não conta propriamente a história da ida à Lua em si, mas sim a história de um homem que extinguiu as suas emoções e projetou todas as partes de si no seu trabalho. Esta ideia de nos focarmos na pessoa, e não na nação que está por detrás do marco histórico, é algo que por vezes as produtoras americanas têm dificuldade em fazer, acabando sempre por enfatizar a grandeza do seu país. A cena em que Armstrong, em ato de dedicatória, deixa a pulseira da sua filha na Lua, é simplesmente profundo e comovente, e um retrato honesto de quem foi realmente Neil Armstrong.
“First Man” é um filme imersivo e único, desde a sua realização, acting, cinematografia e banda sonora. Um filme que poderá sair com uma mão cheia de prémios na próxima edição dos Oscars.

Pontuação Movies’ Nest
8/10 ★
(Bom)










“Bohemian Rhapsody”